Há despedidas que percebemos. E há aquelas silenciosas, que acontecem sem que a gente note. A vida é feita dessas pequenas partidas diárias: um jeito que deixamos de ter, uma fase que termina, uma pessoa que se afasta aos poucos, um hábito que já não faz sentido, uma juventude que se vai sem aviso.
Todos os dias, estamos nos despedindo um pouquinho!
Não de forma trágica, mas natural, como quem troca de pele para continuar vivendo. O filósofo Heráclito dizia que “tudo flui”; nada permanece igual. E talvez essa seja uma das verdades mais difíceis de aceitar: aquilo que amamos também muda, se transforma, caminha. E nós caminhamos junto.
O Evangelho também carrega esse dinamismo. Jesus vive em movimento: entra, passa, cura, segue adiante. Ele não se instala, não se prende. Entra na vida das pessoas, mas também as convida a caminhar. Com Ele, aprendemos que toda despedida esconde uma promessa, e todo fim pode ser começo.
Mas é natural temer o adeus. Temos medo de perder o que somos, medo de perder quem amamos, medo do vazio que fica. No fundo, temos medo de reconhecer que não controlamos o tempo. Os dias passam, e nós passamos com eles. (Como sempre tenho dito…)
A questão é: como passamos? Com pressa? Com amor? Com descuido? Com presença?
Cada dia é uma despedida, sim. Mas também é um convite. Um convite a estar mais inteiro, mais atento, mais grato.
Porque, se tudo passa, o que não passa é o que vivemos com profundidade. O toque que acolhe, a palavra que cura, o perdão que liberta, o silêncio que abraça, a fé que sustenta.
As pequenas despedidas de hoje não precisam ser fonte de tristeza, mas de consciência: consciência de que existe beleza no efêmero; consciência de que nada é garantido; consciência de que só o amor coloca eternidade no que é breve.
Se estamos sempre nos despedindo, que ao menos não deixemos nada importante por viver. Que nossas palavras não fiquem guardadas para depois. Que nosso carinho não seja adiado. Que nossa fé seja prática, concreta, encarnada.
Sim, a vida é feita de adeuses discretos.
Mas, enquanto nos despedimos de tanta coisa, podemos nos aproximar do essencial: de Deus, dos outros, de nós mesmos.
E talvez seja isso que torna a vida tão preciosa: saber que tudo é breve, e ainda assim, tudo pode ser infinito, se vivido com amor.












